Terapias celulares aliadas à medicina regenerativa

As terapias celulares aliadas à medicina regenerativa têm diversas aplicações clínicas em várias áreas da medicina, proporcionando novas abordagens para tratar doenças e lesões que, até recentemente, não tinham soluções eficazes. De seguida, apresentamos algumas das principais aplicações clínicas:

 

  • Regeneração Cardíaca: Infarte do Miocárdio e Insuficiência Cardíaca

A regeneração cardíaca após infarte do miocárdio visa substituir ou reparar o tecido cardíaco danificado de modo a restaurar a função do coração. Já no caso da insuficiência cardíaca, o principal objetivo é melhorar a função do coração através da reparação ou substituição das células cardíacas danificadas.

Abordagem terapêutica → Células estaminais mesenquimatosas (MSCs) e células estaminais cardíacas são utilizadas com o objetivo de regenerar o tecido cardíaco danificado após infarte do miocárdio. Estudos clínicos demonstraram melhorias na função cardíaca e redução de cicatrizes.

 

  • Tratamento de Lesões da Medula Espinhal: Paraplegia e Tetraplegia

Lesões na medula espinhal provocam perda de funções motoras e sensoriais. A extensão e a localização da lesão determinam a gravidade e o tipo de disfunção.

Abordagem terapêutica → Terapias com células estaminais neurais e células estaminais mesenquimatosas (MSCs) têm vindo a ser exploradas para promover a regeneração de neurónios e melhorar a funcionalidade em pacientes com lesões da medula espinhal. Os resultados obtidos reportam melhorias na sensibilidade e na mobilidade.

 

  •  Aplicações em Doenças Autoimunes: Esclerose Múltipla e Artrite Reumatoide

Doenças autoimunes ocorrem quando o sistema imunológico ataca os próprios tecidos do corpo.

Abordagem terapêutica → Imunoterapia para modular a resposta imune, uso de células estaminais mesenquimatosas (MSCs) para reduzir a inflamação e promover a reparação dos tecidos, e terapias biológicas que bloqueiam as vias inflamatórias específicas.

 

  • Terapias para Diabetes: Diabetes tipo 1 e Diabetes tipo 2

A diabetes é uma condição crónica que afeta a maneira como o corpo regula o açúcar no sangue.

Abordagem terapêutica → Transplante de ilhéus pancreáticos de modo a restabelecer a normal produção de insulina, terapias com células estaminais para regenerar as células beta do pâncreas, e dispositivos médicos como bombas de insulina e sensores de glicose em tempo real.

 

  • Doenças Neurodegenerativas: Doença de Parkinson e Esclerose Lateral Amiotrófica (ALS)

Doenças neurodegenerativas são condições caracterizadas pela degeneração progressiva e irreversível do sistema nervoso, especificamente dos neurónios, que são as células fundamentais do cérebro e da medula espinhal. Afetam principalmente a função motora, cognitiva e comportamental dos indivíduos.

Abordagem terapêutica → Ensaios clínicos usando células estaminais pluripotentes induzidas (iPSCs) e células estaminais mesenquimatosas (MSCs) têm mostrado potencial na substituição de neurónios degenerados e na modulação de processos inflamatórios, oferecendo melhorias sintomáticas e atrasando a progressão da doença.

 

  • Doenças Hepáticas: Cirrose e Insuficiência Hepática

Doenças hepáticas referem-se a qualquer condição que cause danos ou que comprometa o funcionamento do fígado, um órgão vital que desempenha funções essenciais, como metabolização de nutrientes, desintoxicação do sangue, produção de proteínas importantes e armazenamento de energia.

Abordagem terapêutica → Células estaminais mesenquimatosas (MSCs) derivadas do tecido adiposo e do cordão umbilical têm sido utilizadas para regenerar o tecido hepático danificado, mostrando potencial na melhoria da função hepática e na redução da fibrose.

 

  • Doenças Renais: Doença Renal Crónica

Doenças renais são condições que afetam os rins, comprometendo a sua capacidade de filtrar e eliminar resíduos, toxinas e excesso de líquidos do sangue, manter o equilíbrio de eletrólitos e regular a pressão arterial. Os rins são órgãos vitais que desempenham funções cruciais na manutenção da homeostase do corpo.

Abordagem terapêutica → Exossomas derivados de células estaminais mesenquimatosas (MSCs)  têm sido aplicados para tratar doenças renais crónicas, mostrando melhorias nos níveis de creatinina e na taxa de filtração glomerular, sugerindo uma redução na progressão da doença renal.

 

  • Regeneração Óssea e Cartilagínea: Osteoartrite e Fraturas

A regeneração óssea refere-se ao processo pelo qual o osso se repara após uma lesão. Este processo é vital para restaurar a integridade e a funcionalidade do esqueleto.

Abordagem terapêutica → Terapias com células estaminais mesenquimatosas (MSCs) são utilizadas para regenerar cartilagem em articulações afetadas pela osteoartrite e para acelerar a cicatrização de fraturas ósseas. Ensaios clínicos demonstraram a redução da dor e melhoria na função articular.

 

  • Doenças Pulmonares: Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) e Fibrose Pulmonar

Doenças pulmonares são condições que afetam os pulmões e outros componentes do sistema respiratório, comprometendo a capacidade de respirar de maneira eficiente. Estas doenças podem variar desde infeções agudas e passageiras até condições crónicas e progressivas que impactam significativamente a qualidade de vida.

Abordagem terapêutica → Terapias com células estaminais mesenquimatosas (MSCs) têm sido testadas para tratar doenças pulmonares crónicas, mostrando melhorias na capacidade pulmonar e na qualidade de vida dos pacientes.

 

  • Regeneração Cutânea: Queimaduras e Feridas Crónicas

A regeneração cutânea é o processo pelo qual a pele sofre reparação após uma lesão. A pele, como o maior órgão do corpo humano, possui uma notável capacidade de regeneração para proteger o organismo de infeções, perda de fluídos e outros danos associados.

Abordagem terapêutica → Células estaminais da pele e células estaminais mesenquimatosas (MSCs) têm sido utilizadas para promover a cicatrização de queimaduras graves e feridas crônicas, resultando numa regeneração mais rápida e eficaz da pele.

 

Estas aplicações clínicas demonstram o potencial das terapias celulares na transformação do tratamento de várias condições médicas, oferecendo novas esperanças para doenças que anteriormente eram consideradas incuráveis.